Olho no olho; apenas um instante, mas o suficiente para que partículas de fogo me percorram dos pés à cabeça. Você foge, corre, se afasta do meu calor. Llamándote me voy. Agarro o seu braço. Posso jurar que existem faíscas no ar, inúmeras delas, mas você se solta bruscamente, e o rio em seus olhos escorre. Você me sussurra: o trem já vai sair.
Ahora yo soy para ti solamente un extranjero. E você sobe no vagão, apressada, antes que eu te impeça. Crio raízes no chão da estação enquanto você senta. Suas mãos estão apoiadas no vidro agora. Os meus punhos se fecham. Eu deveria ser um aventureiro; te arrancar daqui, abraçar e proteger do mundo inteiro, prometer que vamos ser felizes para sempre se você ficar, que serei o príncipe no cavalo branco e te salvarei do dragão. O trem apita. Tenho poucos minutos para ser o herói. O tempo está acabando. Seus lábios tremem. Nós desejamos não sermos estrangeiros. Deseando solo escapar.
A realidade é bruta. É tudo mais rápido do que eu gostaria. El tren después de la partida. Minha língua adquire um gosto amargo familiar e tenho vontade de vomitar.
Caminho para longe dali, com o frio assobiando maldades nos meus ouvidos. A estação não tem fim. Encosto na parede mais próxima e remexo os meus bolsos. Caneta. Papel. Fim de tarde. Agora eu sou um forasteiro, escrevendo sobre como perdi você nas linhas da fronteira.
• • •
Baseado na música:
E X T R A N J E R O - M A R I A G A D Ú

Nenhum comentário:
Postar um comentário